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Patrick Negri Patrick Negri

Empreendedor, desenvolvedor e hustler. CEO da iugu. Este blog é sobre o mercado de startups e empreendedorismo.

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Receita, mercado e crescimento das startups brasileiras

Qual é o crescimento de receita aceitável para minha startup? Bem, é uma questão bem complicada de se responder. De um lado, não existe muitos dados do mercado de startups no brasil, e de outro, olhar apenas para crescimento de receita pode dar uma visão errada sobre seu negócio.

Vou tentar contribuir com alguns dados e também irei abordar os pontos de atenção que estão ligados indiretamente ao crescimento.

Gostaria de deixar claro que todas as minhas postagens refletem apenas o meu ponto de vista, a minha análise individual de dados que possuo acesso e que, qualquer utilização da informação desta postagem é por sua conta e risco.

Antes de entrar de cabeça no assunto de receita e crescimento, quero analisar a relação entre mortalidade e geração de receita das startups brasileiras.

Relação entre tempo de vida em meses e receita mensal das startups no Brasil

O gráfico acima demonstra que a  grande maioria das startups que morrem nunca chegam a mais de 25 mil reais de receita mensal.

Em uma primeira análise, pode parecer que a grande maioria das startups morrem de 0 a 30 meses. Porém, por conta da quantidade de dados, é necessário recorrer a análise de quartis para identificar onde se concentra a massa das empresas.

Análise de tempo de vida por quartis das startups Brasileiras

Análisando a amostragem por amplitude interquartil, podemos concluir que a grande maioria das startups, isto é, mais de 50% delas, possuem um tempo de vida médio de 4 meses. Além disto, apenas 25% delas conseguem sobreviver além de 11 meses.

Eu tenho uma explicação para isso, brinco que são os devaneios de empreendedores brasileiros, irei abordar em breve este assunto aqui no blog. Vou falar principalmente da discrepância de fantasia e realidade que muitos de nós infelizmente ainda temos sobre empreender.

Os dados a seguir compreendem uma análise em cima de cerca de 5 mil empresas, dividi as informações em dois grupos de amostragem, cada uma contendo mil registros. Comparei com a média para ter certeza que não havia um desvio por aleatoriedade. Depois disto, criei um nova amostragem com mil registros e tentei extrair as respostas para perguntas bastante comuns em grupos de discussões e reuniões de que participo.

Indicadores de receita e crescimento de startups no Brasil

É preciso explicar que, quando falamos de crescimento médio, estamos comparando empresas de diversos tamanhos e estágios de investimento e que a média pode não representar a fase atual da sua empresa.

Além disto, foi isolado do TPV (Volume Transacionado), a receita de todos os dados. Marketplaces em geral transacionam um valor maior, porém a receita própriamente dita varia de 10% a 30% do valor recebido. Um marketplace transacionando 20 milhões por mês por exemplo, com 15% de comissão, está representado como 3M nesta análise.

Explicado isso, de uma certa forma vejo um padrão de crescimento em torno de 250% anual na maioria das startups que estão performando bem com receita anual acima de 3 milhões. É possível enxergar uma tendência descrescente no crescimento de receita nestas startups também, nada preocupante pois é impossível crescer 250% para o resto da vida.

A receita média de uma startup boa no Brasil hoje é em torno de 250 mil reais por mês, e as excepcionais, investidas ou não, faturam algo em torno de 1M a 5M por mês.

Preciso falar também a respeito de eficiência por capital investido, por conta de comparações de empresas com crescimento de 600% contra outras que estão crescendo 300%. É preciso analisar o quanto cada real investido retorna, o quanto a equipe fundadora está se diluindo além dos já tradicionais indicadores de alavancagem e margem líquida.

Um outro ponto, bem triste, é o fato de que, a grande maioria das startups no Brasil não conseguem sair do lugar e gerar mais que mil reais de receita por mês. Outra parcela, cresce devagar demais. Minha visão é que não seja por falta de funding e sim por conta da equipe fundadora.

Na última linha da última imagem, falo sobre o tamanho do mercado de startups hoje no brasil, em termos de volume transacionado, 5BI anual. Esta última linha é uma brincadeira e um grande chute. Considerando que o número fosse este, ele deveria crescer em algo superior a 50% ano.

Para finalizar, gostaria de mencionar onde eu enxergo o mercado hoje e o potencial que temos nas mãos. Recentemente viajei com minha esposa para Arraial do Cabo, fica bem pertinho do Rio de Janeiro. A cidade praticamente não aceitava cartões e aproveitei para perguntar para alguns prestadores de serviço se eles aceitavam boleto. Não achei praticamente ninguém que aceitasse boleto, no máximo, transferência entre contas.

Quando olho para o Brasil, vejo que existe uma oportunidade enorme nesta transição para pagamentos de forma eletrônica, contratação de serviços e novas ferramentas para nos tornar mais eficientes. Sequer começamos a arranhar o potencial deste mercado.

Precisamos ter calma, estamos no início, tem muito chão pela frente e precisamos sempre lembrar que isto é uma maratona, e não uma corrida. Vai chegar no final quem tiver fôlego e não necessariamente quem tentar ser o mais rápido.

Comentários

Thiago disse:

Gostei do artigo, muito bem embasado em dados!

Patrick disse:

A idéia foi realmente começar trazer insights baseados em dados. Obrigado Thiago.

Leandro disse:

“Minha visão é que não seja por falta de funding e sim por conta da equipe fundadora.”

Na sua visão, teria como citar exemplos de erros cometidos pela equipe fundadora?

pnegri disse:

Leandro, estou escrevendo uma postagem sobre isto, deve estar no ar nas próximas semanas. Desculpe não responder via comentário, mas o problema é espaço rs. Abraços.

Vlamir Carbonari disse:

Top o artigo Patrick. E parabéns pelo blog. Que tenha longa vida.

Patrick disse:

Opa Vlamir. Obrigado. É muito bom ver um conterrâneo de Mato Grosso do Sul por aqui. Abs e sucesso!

Valentim disse:

Patrick, bom dia! Achei muito legal a análise, parabéns. Você encontrou dados que são super difíceis de se conseguir aqui no mercado brasileiro, o que me impressionou ainda mais! Quais fontes você utilizou? Abraços

Patrick disse:

Oi Valentim, tudo bom? Então, os dados são da Iugu, empresa de infraestrutura infanceira (ou pagamentos, simplificando), no qual sou CEO. Já atendemos mais de 6 mil startups, os dados são de lá.

Abs e seja bem vindo ao meu blog.

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